Isis Ribeiro e Rodrigo Colissi
“...Ele me desperta todas as manhãs...” Is. 50:4.
“De manhã, Senhor, ouves a minha voz; de manhã te apresento a minha oração e fico esperando” Sl. 5:3.
Uma das maiores necessidades do ser humano é sentir-se amado. Quando isso não é primazia pode resultar em uma vida de fracassos, desespero, angústia, solidão, sem experimentar o sabor da vitória e nem ao menos expressar um sorriso. É assim a vida de pessoas sem o amor. Porém, esse quadro pode mudar radicalmente quando acontece a descoberta que todos podem amar alguém e que principalmente alguém pode retribuir esse amor.
Existe o amor entre marido e mulher, entre paqueras, amigos, irmãos, entre o dono e seu animalzinho de estimação, o amor de pai e mãe com o filho ou do filho com os pais. Porém, nunca encontraremos um amor tão extraordinário como o expresso de Deus pela humanidade. O impressionante é que este amor vem sem merecer, sem fazer esforços e nem ao menos procurar retribuí-lo. E este magnífico sentimento divino se renova sobre nossas vidas a cada manhã (Rm. 5:5-11). “Temos de crer que fomos escolhidos por Deus para ser salvos pelo exercício da fé, mediante a graça de Cristo e a operação do Espírito Santo; e cumpre-nos louvar e glorificar a Deus por tão maravilhosa manifestação de Seu imerecido favor. É o amor de Deus que atrai a alma a Cristo, para ser graciosamente recebida e apresentada ao Pai. Pela obra do Espírito Santo, renova-se a relação divina entre Deus e o pecador.” (E Recebereis Poder, MM 1999, pág. 41).
A cada dia o Espírito Santo se empenha em convencer de que todos são inteiramente dependentes da graça de Cristo e de que devem Nele depositar a fé e a certeza de salvação. O sacrifício de Cristo é um ato salvífico, porém sem o trabalho do Espírito Santo este ato já teria sido esquecido pela humanidade. E todos viveriam sem a noção do quanto há um empenho diário pela preservação do homem por parte de Deus. Se a humanidade fosse deixada escusa do trabalho do Espírito Santo, possivelmente ninguém viria habitar as mansões celestiais prometidas por Cristo, pois dificilmente O procurariam por si próprios. O fato da obra do Espírito Santo ter como função principal convencer o homem da necessidade do perdão do Pai - que se dá através da aceitação do sacrifício de Jesus - é a maior prova do empenho diário da Trindade pela salvação e manifestação constante da renovação de Seu amor. Isto exige esforço para uma reconsagração e conversão diária. Negar o eu e deixar que Cristo habite na vida (Gl. 2:20).
“A unidade com Cristo depende da renovação mental pelo Espírito Santo. Somos assim fortalecidos a andar em novidade de vida, recebendo de Cristo o perdão de nossos pecados. Aquele que possui aquela fé que opera pelo amor e purifica a alma é um vaso purificado, santificado e útil para uso do Mestre”. (Este dia com Deus, MM 1980, pág. 148). Uma das melhores maneiras de firmar nos caminhos de Deus é empenhar-se em alguma tarefa ou ministério dentro da igreja e colocar em prática os dons que recebe gratuitamente como presente divino. Então se manifestará no coração do indivíduo um senso de utilidade própria como instrumento para uso na obra comissionada pelo Mestre. A melhor maneira de exercitar qualquer dom é pedir auxílio, direção e coordenação do Espírito Santo para a manifestação do amor pelo próximo e declaração de gratidão pelo amor demonstrado primeiro por Deus.
A cada dia e a cada instante deve-se repetir a oração de Davi: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto.” (Sl. 51:10). Desta forma torna-se mais próximo o ideal de seguidores de Cristo. Não pode o ser converter-se e desejar manter os mesmos sentimentos e hábitos anteriores, que possuía quando levava uma vida longe dos pés do Senhor. Uma conversão assim não pode ser reconhecida como genuína. Todo aquele que passa pela verdadeira mudança, a manifesta no testemunho diário, nos atos, olhares, palavras, andar, modo de vestir-se e até no modo de alimentar-se. As coisas anteriores lhe incomodam agora e sente tristeza pelos feitos durante a vida de escuridão. A oração diária e a comunhão com Deus permitem que o Espírito Santo se manifeste e esculpe no coração a verdade.
Ele deu o maior amor já existente e agora pede apenas a aceitação. Deus convida para a aceitação diária de Seu amor, pede a renovação da vida e quer as faces dirigidas para a única verdade. Mas mesmo assim, esse amor pode ser negado, pois o mundo é coagido pelo pecado, e ao negar o amor de Deus renuncia-se Sua verdade e Suas promessas.
Que esse amor possa fazer parte intensamente de todo viver e que o testemunho seja resplandecente aos olhos dos sedentos do amor de Cristo. “Os que são participantes do amor de Cristo pela aceitação da verdade evidenciarão isso fazendo diligentes e abnegados esforços para transmitir a mensagem do amor de Deus aos que estão em erro”, (Este dia com Deus, pág. 270).
Cheio de amor
A Lei na Folha
Atitudes, movimentos ou idéias. Todos os atos são regidos por leis. Seja um simples pensamento ou até mesmo uma ação mais ousada. A sociedade global obedece constantemente os paradigmas das regras conferidas, que podem ser de cunho religioso, social, acadêmico ou então, constitucional. E o jornalismo não foge disso. No Brasil existe a Lei de Imprensa. Promulgada em 1967 durante o período de Ditadura Militar, a Lei vigora até os dias atuais.
Recentemente ressurgiu um projeto que visa banir a presente Lei e adotar medidas menos ditatoriais. A própria imprensa dividiu-se com opiniões diversas e muitas polêmicas. A Folha de São Paulo, por exemplo, foi um pouco além, mas claro, manteve o caráter informativo e expôs ao leitor detalhes sobre o assunto.
No dia 21 de fevereiro deste ano, a Folha publicou a notícia de que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Ayres Britto, concedia uma liminar provisória para a revogação da Lei de Imprensa. Na matéria, o ministro alega que a lei regula a liberdade de pensamento e informação. Em citação, Britto dispara: "Imprensa e democracia, na vigente ordem constitucional brasileira, são irmãs siamesas". Essa afirmação pode denotar certo caráter apelativo ou ríspido. Comparar a liberdade de Imprensa com a democracia do Brasil realmente é algo forte. Num País em que democracia significa - para a grande massa - um simples poder de voto, denota a liberdade de Imprensa como algo democrático e de fácil resolução, algo da escolha da população. Mas as opiniões, seja na classe jornalística ou não, se divergem. Haverá limites para a liberdade?
Assunto delicado que exige dos veículos muita cautela ao retratá-lo. Informar sobre os fatos é o mais sensato. Mas o cuidado deve estar também nas entrelinhas da informação para não apresentar caráter sugestivo, às vezes num simples depoimento. Como no caso anterior. Mesmo sem intenção por parte da Folha, a afirmação do ministro pode transmitir ao leitor uma posição firmada e sugerir que a atual Lei de Imprensa manipula a liberdade da classe jornalística.
No dia seguinte à matéria anterior, a Folha estampa o título: "Serra diz que Lei de Imprensa é ‘produto genuíno da ditadura’". A notícia compara a Lei de Imprensa nos dias atuais e nos tempos de Ditadura Militar. A opinião do governador do estado de São Paulo ganhou ênfase pela editoria da Folha. Certamente ele é uma pessoa pública notável e sua opinião é relevante. Mas o jornal destacou de maneira astuta. Em determinado trecho, Serra diz que "A ditadura não tinha a menor simpatia pela imprensa livre e tratou de combatê-la e inibi-la com os meios à sua disposição. Um deles foi, exatamente, a Lei de Imprensa, nascida para cercear a informação e a crítica".
Juntamente com os citados segue outros títulos relativos ao assunto publicados na Folha: "Liminar suspende partes da Lei de Imprensa" e "Maior parte das democracias tem lei específica".
O modo como a Folha utilizou as informações deve levar a uma reflexão mais minuciosa. Todas as notícias mostraram opiniões e fatos que induzem o leitor a pensar apenas de uma maneira: a Lei de Imprensa inibe a liberdade de expressão. Atitude na qual é parcial. Faltou na Folha expor mais a opinião da população sobre o assunto, isso seria democracia. O outro “lado da moeda”, ou seja, a opinião de comunicadores que aprovam e convivem com a Lei de Imprensa também faltou. Isso seria parcialidade.
O jornalista e advogado Vinícius Laner, em artigo publicado no site UOL, coloca o assunto em debate e diz: "A Lei de Imprensa brasileira é detalhista ao tratar da responsabilidade do jornalista. Regulamenta o direito de resposta, caracteriza os crimes de imprensa e estabelece as penalidades e indenizações cabíveis. Então, a discussão da nova Lei de Imprensa centra-se nesses aspectos".
A antiga lei, uma nova Lei de Imprensa ou então a antiga reformulada, pode ser também uma nova lei das novas. O que importa é um consenso ou bom senso para fazer um jornalismo de compromisso, prestador de serviço e imparcial. Na Folha pode haver rabiscos, mas nunca rasuras que desonre a estrutura do "primeiro jornal em tempo real".
Texto publicado originalmente no Canal da Imprensa
