Isis Ribeiro e Mariana Jósimo
A Educação no Brasil é um assunto muito amplo, porém pouco discutido. Essa afirmação se comprova pelo fato de que o assunto é escasso na mídia impressa. Entre os fatores que contribuem para que a educação não tenha o devido espaço nos jornais é o desinteresse dos jornalistas em especializar-se nessa área. Outro ponto a considerar é a manipulação do conteúdo abordado. Para a doutora em educação e coordenadora da Ação Educativa, Mariângela Graciano, existe a predominância de pautas estabelecidas pelo governo. “Isso trás muitos problemas, pois há assuntos e também pessoas que tem direito a educação e não ganham espaço”, comenta.
A doutora fala ainda que os temas abordados devem ser aqueles que falam sobre educação com diferentes etnias. “Para existir uma cobertura justa, a imprensa deveria dar espaço e mostrar os direitos dessas classes. Poderia abranger o tema educação voltado para esses grupos”, sugere.
O assessor de comunicação do Unicef de Pernambuco, Inácio França, também recomenda alguns assuntos a serem discutidos pela mídia. “Seria ideal abordar a necessidade da educação em formar cidadãos conscientes e capazes de contribuir para o desenvolvimento da sociedade”, expõe.
Os temas atuais em questão explorados pela mídia dirigem-se ao ensino médio e parcerias entre poder público e iniciativa privada. Mariângela observa que o assunto mais explorado sobre o ensino médio refere-se à preparação para o vestibular. Ela conta que existe uma seqüência abordada pela imprensa que reflete sempre no mesmo ponto: o despreparo dos jovens candidatos a partir dos débeis resultados. “A mídia não discute o porquê que eles não aprenderam a ler e escrever como devem. É necessário ouvir o corpo docente para entender os reais problemas. Caso contrário, a política jamais avançará”, argumenta.
O texto “Reflexões e recomendações sobre a cobertura da educação na imprensa escrita nacional” publicado no trabalho de análise “A cobertura da educação na mídia”, em dezembro de 2007 pelo Observatório de Educação, explicita a idéia da diversificação de fontes jornalísticas para área educacional. Os autores mostram que depoimentos das organizações da sociedade civil, comunidade escolar, centros de pesquisa e universidades são importantes para o conhecimento de temáticas ausentes do repertório comum. Mas o acesso a essas fontes não é viável quanto se imagina. Principalmente aos professores. A doutora Mariângela revela que no estado de São Paulo e outros 17 estados do Brasil existe uma lei de funcionalismo público que proíbe o professor de dar entrevistas. “Em São Paulo, essa lei é de 1968. É uma lei anterior a constituição, antes do período da ditadura”, indigna-se.
Sem o auxílio de pedagogos e conhecimento prático na área, os jornalistas seguem no desafio de escrever para um público praticamente desconhecido. Por tais motivos, existem poucos jornais que possuem versões infantis com passatempos didáticos e educativos. França reforça a idéia de que escrever para crianças é um desafio para os jornalistas. De acordo com o assessor, os complementos infantis ajudam na educação e formação da criança. “O texto e a diagramação adequada aos pequenos ajudam a formar leitores, a criar intimidade entre palavra escrita e a mídia”, esclarece.
Educação e mídia sempre será um tema em debate por pesquisadores, educadores, doutores e também jornalistas. Mas o fundamental está na diversificação e divulgação adequada dessa questão importante para a sociedade. Há necessidade em discutir mais sobre a educação básica como componente de um todo. Segundo Mariângela, existe também outro lado essencial no processo de discussão. “É necessário ter a noção de educação como um direito. Deve-se incluir temas e grupos vulneráveis que também estão fora da cobertura”, conclui.
Texto publicado originalmente no Canal da Imprensa
Educação para todos
Em busca do princípio
Criacionismo e evolucionismo: teorias distintas que buscam explicar a origem humana diante das evidências encontradas a cada dia. O assunto gera discussões na mídia e chega às universidades. Qual será a posição das instituições de ensino diante destes questionamentos?
Isis Ribeiro e Patrícia Matter
O homem sempre procurou descobrir suas origens. Nessa procura não existem teorias corretas ou absolutas. Duas principais teses formam uma encruzilhada com caminhos distintos na explicação do suposto surgimento do mundo: o criacionismo e o evolucionismo.
O criacionismo é um princípio sustentado há milênios pelos cristãos. Para eles, o mundo foi criado por Deus em seis dias. Já o evolucionismo começou a ser divulgado na Europa no final do século 18, com o início do racionalismo, por Emanuel Kant. O racionalismo, como outras correntes filosóficas, aboliam a Bíblia e a religião. Mas é no século seguinte que essa teoria começa a ser difundida pelo filósofo e naturalista Charles Darwin.
Essa discussão sobre as teorias continua até a atualidade. O princípio da existência é motivo de muitas pesquisas, análises, investigações, debates e congressos. E esse chega às universidades. Confessionais ou não, todas se posicionam diante dessa polêmica.
Debate acadêmico
A palavra Kerygma, que em grego significa pregação, é o nome da revista eletrônica do curso de Teologia do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp). Essa mídia conta com a participação de alunos do curso, professores e pesquisadores da área científica. De acordo com o editor da revista e professor do curso de Teologia, Reinaldo Siqueira, esse site é um meio de divulgação científica e acadêmica do curso de Teologia. "Na revista existem entrevistas, resenhas de livros, artigos, monografias, teses e dissertações", esclarece. Os temas criacionismo e evolucionismo, conforme estabelece a linha editorial da Kerygma, são abordados de acordo com o viés da Igreja Adventista do Sétimo Dia. " É uma revista da Faculdade de Teologia Adventista do Sétimo Dia. Cremos no criacionismo, mas como se trata de uma revista de divulgação científica, abrange também uma visão ampla sobre o tema", explica Siqueira.
Conforme o editor, existe uma abordagem científica do criacionismo. Segundo ele, a ciência, na verdade, é neutra; o evolucionismo é uma teoria, assim como o criacionismo. "As pessoas acreditam que o evolucionismo é uma verdade inquestionável, mas na realidade é apenas uma teoria. O criacionismo usa os mesmos objetos de estudo que o evolucionismo. Sendo assim, se torna também uma teoria", declara.
O leitor da revista, Diego Ferreira, afirma que esse tema é relevante e sugere que seja mais debatido no veículo. "Poderia haver uma edição que falasse exclusivamente sobre evolucionismo e criacionismo. Seria interessante e proveitoso para todos os acadêmicos", ressalta. Já o jornalista responsável pela Kerygma, Wendel Lima, expõe o fato de haver poucos colaboradores na revista. "A Kerygma não é somente uma revista jornalística, ela também é acadêmica. Por isso, precisa da colaboração dos alunos para abordar temas como estes", propõe.
Lima também exerce a função de colaborador em uma coluna semanal sobre Arqueologia e Ciência no site Paraná Online (pertencente ao Grupo Paulo Pimentel). A seção retrata questões polêmicas que a mídia expõe sobre descobertas arqueológicas ou científicas. A veracidade histórica de termos ligados ao criacionismo é defendida na coluna através de pesquisas, artigos e entrevistas.
Evolucionismo em pauta
Segundo o doutor e professor de Microbiologia da Universidade Paulista (Unip), Alexandre Lourenço, o criacionismo não pertence a área da ciência e sim à esfera das religiões. "Não acredito nessa explicação para a origem da vida e distinção das espécies. Creio no evolucionismo, pois explica de forma consistente a diversidade da vida e as modificações das espécies", argumenta. Lourenço ressalta que não aborda diretamente o tema evolução, embora seja pano de fundo de algumas aulas, nos conteúdos relacionados a resistência às drogas, virulência de microrganismos e relação hospedeiro-parasita.
O historiador Gutenberg Melo, define a religião como um conjunto de princípios que não podem ser comprovados ou negados, por ter natureza metafísica. Já a ciência necessita de clareza e coerência em suas explicações, pois não se baseia em dogmas, nem numa idéia pré-concebida. Ele argumenta que não cabe julgar uma teoria ou outra, o objetivo deve ser compreender o que dizem. "Baseio-me em evidências e o que encontro de concreto são comprovações evolucionistas", enfatiza. Melo conta
ainda que esse tema faz parte do conteúdo de pré-história e que cronologicamente já diverge do criacionismo.
Para o geólogo e professor do Unasp, Nahor Neves, a temática é exposta na mídia de maneira expressiva, mas de modo parcial e tendenciosa. "Esse assunto, que creio ser muito importante, tem sido abordado há 150 anos de formas parcial. Com relação às origens tem prevalecido apenas um modelo: o evolucionismo. Acredito que o criacionismo é mais coerente com a realidade dos fatos", defende.
Política editorial equilibrada
Na busca da imparcialidade, alguns preferem mostrar os dois lados do assunto. Esse é o caso da revista da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), ComCiência, que divulga trabalhos científicos com cunho jornalístico. “Não temos uma visão ou posição para defender, buscamos apenas contribuir com material relevante sobre o tema em questão”, esclarece o articulista da revista, David Santos Júnior.
A Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, (PUC-RS), prefere não divulgar nada relacionado à criação ou evolução. A editora executiva de comunicação da PUC-RS, Magda Achutti, da revista eletrônica Informação, ainda não abordou esse tema em suas edições. Ela relata que a universidade e a revista não possuem uma posição preestabelecida sobre o assunto.
Texto publicado originalmente no Canal da Imprensa
Politicagem para o povo
Tomate neles! Essa expressão poderia ser o brado da nação que desabafa diante das tramóias da classe política. Como confiar num governante diante de tantos escândalos? A política abordada na mídia é movida ao trivial: CPIs, falcatruas, desvios... Com tantas notícias relacionadas ao descaso dos governantes pelas necessidades do povo, a resposta se faz com igualdade: desinteresse da população pelos fatos políticos.
Isis Ribeiro, Elkeane Aragão, Mariana Jósimo e Luzia Paula
O desinteresse do povo em relação a política é algo preocupante devido ao crescente índice de escândalos que envolvem os governantes. A população bloqueou-se diante dos “ataques” vindo de lideres políticos. Desvios de verba, compra de voto, superfaturamento de obras, descaso aos problemas sociais, entre outros. Esses são alguns itens que trazem desilusão ao povo referente ao contexto político.
A Revista Veja do dia 31 de janeiro de 2007 estampou em sua capa a projeção de um tomate podre referente a palavra “Políticos”. A matéria da capa explicitava a opinião popular diante dos freqüentes escândalos políticos no Brasil. A reportagem afirmou que existe um abismo entre o povo e a política. Em denominação, este “abismo” se faz devido aos variados tumultos parlamentares.
Em dados encomendados ao Ibope pela Veja e divulgados na revista, constatou-se a visão popular dos políticos. Segundo a pesquisa, apenas 3% dos brasileiros acreditam que os congressistas representam e defendem os interesses da sociedade. Em contrapartida, a maioria dos brasileiros, 84%, acham que os parlamentares trabalham pouco. Entre os termos usados pela população para adjetivar os políticos estão: desonestos (55%); insensíveis aos interesses da sociedade (52%); e mentirosos (49%). O sociólogo Demétrio Magnoli, também expôs a opinião na reportagem e revelou que esses números não causam espanto. "São fruto do atual estado de degradação moral do Parlamento", declarou.
O cientista político da Universidade de Brasília, UnB, Octaciano Nogueira afirma para Veja que os brasileiros possuem memória curta. “Sete em cada dez brasileiros declaram não lembrar o nome do deputado em que votaram na última eleição". O eleitor não sabe quem elegeu e isso dificulta em acompanhar o desempenho do político. O modelo do voto distrital, como nos Estados Unidos e Inglaterra, chega a restringir o número de candidatos a até um por partido. A vantagem é que, a proximidade do eleitor com o político faz com que o povo possa acompanhá-lo e assim cobrar providências devidas. Para o cientista político do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos, José Luciano de Mattos Dias, o político não possui comprometimento com a sociedade. "Aqui (Brasil) o parlamentar já entra na Câmara sem ter o menor compromisso com quem lhe deu o voto", comenta.
Os próprios políticos confirmam que falta empenho deles em relação à sociedade. O deputado do Partido Verde (PV) do RJ, Fernando Gabeira, confessa o descaso dos políticos ao declarar: "Congresso está de costas para a sociedade". Com isso, esse mesmo Congresso é encarado com desleixo pelos eleitores. O cientista político Bolívar Lamounier confirma: "Essa concentração faz com que, aos olhos da população, o Congresso seja visto como uma instituição que se dedica ao palavrório". Segundo Lammounier, essa avaliação é perigosa e pode levar a outra conclusão, a de que o Congresso juntamente com seus componentes são totalmente dispensáveis. Mas a pesquisa do Ibope revela ainda que a maior parte dos brasileiros sabe separar a instituição dos que a compõem. Em outra pesquisa, do Instituto Latino barômetro, feita no Paraguai, Panamá, Bolívia e Equador, a porcentagem da população que afirma que a democracia pode funcionar sem deputados e senadores é menor do que no Brasil.
Visão da política em outros países
As desconfianças com os políticos corrompem as fronteiras. Mesmo em países culturalmente avançados, com democracias organizadas, o grau de confiança na classe gira em torno de 30%, conforme dados do Instituto Eurobarômetro. Para esclarecer essa premissa o cientista político do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro, Jairo Nicolau, diz: "é a crescente concentração de poderes no Executivo, mesmo em países parlamentaristas". Para complementar, a também cientista política Lucia Hippolito, diz que: "os políticos já não detêm o monopólio da representação. ONGs, Igreja, mídia e universidades também cumprem esse papel”.
Atendendo ao déficit de conhecimento da população brasileira em relação à política nos Estados Unidos, sites jornalísticos como o Portal G1 e Folha Online explicam os detalhes da política no país norte-americano. Os jornais brasileiros utilizam-se de critérios minuciosos para informar o povo brasileiro, mas a maioria não se interessa por informações políticas de outros países. O portal de notícias da Globo G1, por exemplo, explica no dia 26 de dezembro de 2007, com infográficos, tabelas e jogos sobre o sistema estadunidense de eleições.
O professor de Sociologia do colégio Unasp, Elias Gonzalez analisa a falta de conhecimento dos brasileiros sobre a política norte-americana como um problema. Para ele, o país deveria conhecer a forma como os políticos da terra de Hillary Clinton e Barack Obama governam, pois sua política exercer uma forte influência sobre o Brasil. “ O que acontece por lá pode ter reflexos não somente para o Brasil, mas para o mundo todo”, analisa Gonzalez.
Na Revista Veja, os políticos foram classificados pelos eleitores de modo direto e hostil. Eles denominaram a classe em sete pecados. São eles: leviandade, desonestidade, avareza, preguiça, alienação, intocabilidade e formação de quadrilha. De acordo com que Nogueira citou, deve-se ao menos “lembrar o nome do deputado em que votaram na última eleição” para então julgar com propriedade.
texto publicado originalmente no Canal da Imprensa
Castigo deve ter sentido lógico
Denys Borguete, Elkeane Aragão, Isis Ribeiro e Mariana Jósimo.
O castigo é um método aplicado por educadores com objetivo de corrigir uma desobediência. A punição pode ser: física, exclusão de uma atividade preferida ou privação de algo desejado. Entre os psicólogos há discordâncias. Alguns apóiam a correção física como método de educar, desde que não exagere na “dosagem”. Para outros isto é violência.
O Conselho Tutelar de Artur Nogueira define castigo físico como “maus tratos”. Na primeira vez que houver denúncia e for constatada a agressão, os pais recebem uma advertência escrita. Na segunda, ficam sujeitos à promotoria e o juiz pode recomendar o abrigo para a criança. A opinião da conselheira Márcia de Castro é que a sociedade perdeu o vínculo familiar. Os pais trabalham muito e não têm tempo para ficar com os filhos. Assim, os responsáveis pela criança e adolescente, suprem essa falta com presentes. Isto contribui para que não respeitem compromissos e regras familiares. “Os pais se sentem desrespeitados e partem para a agressão física”, declara.
De acordo com a secretária Jacira Pacheco, mãe de três crianças, a punição está ligada ao autoritarismo. “A criança tem que ser punida para aprender a respeitar as pessoas”, afirma. Já a telefonista Zilda Mesquita, mãe de três jovens, diz que o correto é não agredir a criança, deve-se explicar o porquê da repreensão. “Eduquei meus filhos da mesma forma com que fui educada, e a punição não me deixou traumas”, lembra.
O pastor José Humberto Moura diz que geralmente o castigo físico é aplicado pela impaciência dos pais e porque a criança não pode reagir. “Seria mais eficaz refletir antes de aplicar o castigo”, aconselha.
O pai solteiro Carlo Schneider, sempre conversa com seu filho de 11 anos, mostrando como agir corretamente diante das situações. Ele conta que raramente usa castigo físico. “Funciona mais privá-lo de algo que ele gosta”, explica.
Segundo a psicóloga Sandra Silva existem dois tipos de castigo: lógico e ilógico. Castigo lógico é aquele que tem sentido para a criança. Se o castigo não tiver objetivo vai prejudicar seu crescimento psicológico em todas as áreas. Ela crescerá inibida e com medo, ou rebelde e revoltada. “Ela tem que saber que o castigo restabelece uma situação ruim e deve assumir as conseqüências do prejuízo que causou”, esclarece. O contrário disso é o castigo ilógico.
Para Márcia, sociedade e governo devem se unir para alcançar soluções, promovendo projetos sociais e qualidade de vida para os pais. Além disso, a relação entre pais e filhos precisa ser restabelecida. “Antigamente, os pais brincavam com os filhos. Eu empinava pipa com o meu pai. Era maravilhoso. Hoje não se vê isso. O melhor presente que os pais podem dar aos filhos é a companhia”, conclui.
“Bullying deve ser erradicado da escola”, enfatiza orientadora
Durante este ano o Colégio Unasp desenvolve um projeto que visa diminuir os incidentes de bullying, termo em inglês utilizado para definir situações de discriminação, exclusão, agressão e ofensa. Esta atividade acontece anualmente no Colégio, com o objetivo de garantir o bem-estar acadêmico e social de seus alunos, tendo a auto-estima como assunto de 2007. De acordo com a orientadora educacional e coordenadora do projeto, Ingrid Merkhler, esta iniciativa pretende desenvolver nos alunos a autoconfiança e respeito ao próximo.
Segundo a coordenadora, as agressões verbais e físicas sempre existiram no ambiente escolar, mas somente há pouco tempo foi designado um termo específico para estas atitudes. “Tentar mostrar poder sobre o outro, menosprezar, invadir a privacidade e isolar o próximo são atitudes cotidianas de alguns estudantes”, ressalta.
O estudante do ensino médio, Mateus Joacir, revela que quando criança, seus colegas o humilhavam pois sua voz era aguda. “Não gosto de brincadeiras com ofensas, ninguém tem o direito de julgar o próximo”, desabafa.
A orientadora descreve um caso ocorrido no Colégio no qual um garoto, alvo de bullying, passou a ser agressivo diante de sua família. Ela afirma também que a criança ou adolescente que pratica o bullying, já foi vítima em determinado momento. “Ele faz isso para se defender, para exercer poder sobre o outro e se exaltar”, explica. O estudante do Ensino Médio, Halan Camargo, relata que já praticou brincadeiras inconvenientes com seus colegas mas não conseguiu se controlar quando estes fizeram o mesmo com ele. “Os meninos faziam uma brincadeira de dar tapas na testa e isso me ofendia. Certa vez parti para a agressão”, confessa.
Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção a Infância e a Adolescência (Abrapia), realizou uma pesquisa em 11 escolas públicas e privadas na cidade do Rio de Janeiro. O resultado detectou que 40% dos 5 785 alunos de 5ª a 8ª séries estão diretamente envolvidos em atos agressivos na escola.
Segundo a professora do 4º ano do ensino fundamental, Tássia Barros, o educador deve ter firmeza diante de situações de bullying. “O professor deve reprovar essas atitudes, conversar com os envolvidos e explicar para toda a turma que isto é errado. O aluno deve ter a consciência de que se trata de um assunto sério”, enfatiza.
O Colégio Unasp possui um código de ética que orienta o educador nas decisões a serem tomadas diante de situações de agressão. Esse código propõe uma repreensão ao aluno e determina a sua retirada da sala de aula ou até mesmo uma suspensão, conforme a gravidade da situação. “O bullying deve ser erradicado da escola, os educadores podem adotar uma posição firme e de autoridade diante do ocorrido”, acrescenta Ingrid.
Reflexos na aprendizagem
Em alguns casos, o bullying pode afetar o estado emocional do aluno e prejudicar na aprendizagem. “Quando o estudante está com o emocional abalado, a atenção e concentração são desviadas porque o cérebro trabalha em função de minimizar esse problema. Portanto, se as emoções estão comprometidas, o intelectual não funcionará de forma adequada”, afirma a orientadora.
Para o professor de Geografia do ensino fundamental e médio, Elias Noriega, o rendimento escolar fica completamente comprometido quando o aluno sofre agressões, pois “isso prejudica o estado emocional do aluno e consequentemente afeta a assimilação dos conteúdos”, comenta.
De acordo com pesquisas realizadas pela Abrapia, além de interferir na aprendizagem, o bullying proporciona um comportamento anti-social que compromete a vida adulta, pois essas atitudes agressivas são incorporadas diante da família ou no ambiente de trabalho. “A escola deve trabalhar junto com os pais para que os traumas psicológicos não afetem posteriormente a vida acadêmica e social da criança ou adolescente”, conclui Ingrid.
Texto publicado originalmente no Diário do Campus , em junho 2007
