Atenção, senhoras e senhores! Está no ar, mais um besteirol brasileiro. Acompanhe em sua casa, mais de mil palhaços no telão. Sem esquecer a pipoca e o guaraná, pra ajudar na digestão das piadas sem noção.
No palco da comédia, as atrações variam. Entre os programas de humor na televisão, a disputa pelo sorriso e audiência é notório. Mesmo que seja na sutil e sensual cerca que “esconde mostrando” Rosinha (Miryan Martin) no Zorra Total ou no apelo bizarro de Didi Mocó (Renato Aragão) ao interpretar um personagem que repete incansavelmente, “Didizinho fez totô”, na Turma do Didi.
Entre as visitas célebres de Edu (Renato Rabello) no Zorra Total da Rede Globo, no dia 7 de junho de 2008, estava a atual Mis Brasil em um modelito sensual e extravagante. A bela que pronunciou poucas palavras foi censurada pela apaixonada Junia (Samantha Schmutz) caracterizada de “Juninho”. Na briga por Edu, Juninho vence ao estragar o affair. Após, Junia garante em tom superior: “Esse é meu!”. Essa frase é repetida em todos os finais do quadro no programa, mas Junia permanece sozinha. Previsivelmente, no próximo programa, Edu aparecerá com uma nova beldade, pois o que realmente importa - para o ibope da emissora - são as curvas sensuais das artistas convidadas.
E enquanto isso, no mar da “Marmelândia”... Piadas toscas e inconvenientes! O quadro do Zorra, surgiu para preencher a grade televisiva com humor nada criativo. E por aí vai... Desde a ex-prostituta emergente que insiste em chamar seu assessor de “Graube” até as violentas tranças da infantil Abadia.
Na corda bamba do riso, falta o equilíbrio sensato de programas como a Turma do Didi da Rede Globo. O programa que vai ao ar no meio dia, é direcionado às crianças. Mas, parece que os roteiristas e diretores esqueceram-se disso. Apelos expressivos ao sensualismo e violência estão presentes nos episódios. O irreverente Didi sempre consegue o que deseja, mesmo que utilize métodos desonestos e violentos. Os alvos freqüentes são os colegas de programa que são agredidos e ridicularizados. Assim, a resposta destes se faz quase constantemente com uma cruel cena de vingança.
No trampolim da audiência
Os programas de humor da tevê brasileira se caracterizam pela exploração do corpo feminino, violência e raramente por quadros que representam a situação sócio-econômica do País. Na briga por audiência, o que importa é garantir um telespectador assíduo às programações cômicas da emissora.
Em último plano, está o interesse em transmitir conteúdos relacionados aos fatos atuais da sociedade, da política e economia. O decreto principal é fazer com que os telespectadores se transportem para um mundo imaginário e distante dos acontecimentos reais. Se a realidade apresenta fatos difíceis, os programas de humor tentam fazer com que as pessoas esqueçam isso. Mas se transportar para uma fantasia coberta de sensualismo e valores deturpados pode ter graves conseqüências e causar alienação.
Palhaçada de qualidade
Apesar de tudo, existem programas que mesmo com a exploração do irreal, apresentam dados que procuram associar aos acontecimentos concretos. Um exemplo é o programa Custe o Que Custar, o CQC da Rede Bandeirantes. Os repórteres entrevistam pessoas célebres como políticos e artistas e fazem perguntas inusitadas, o que os demais repórteres jamais perguntariam. Fatos polêmicos são debatidos. No programa do dia 9 de junho de 2008, os apresentadores denunciaram de modo irreverente o superfaturamento do governo federal na compra de merenda escolar.
O humor com qualidade do personagem João Plenário de A Praça é Nossa do SBT, transmite parte da opinião popular referente aos políticos. O ator Saulo Laranjeira ilustra detalhadamente um político corrupto.
Não muito distante disso, o Casseta e Planeta da Rede Globo, aborda de modo sutil e indireto os fatos relacionados aos problemas do País. Com charges bem humoradas dão as “alfinetadas” nos políticos e alertam o público para problemas reais. No episódio do dia 10 de junho, a “inflação” foi caracterizada pela atriz Cláudia Rodrigues. Na chamada da matéria, um dos “cassetas” destaca: “A inflação está de volta no Brasil!”. Em outra charge do mesmo episódio, o protesto é em prol ao meio ambiente. Contra o desmatamento da floresta Amazônica, os atores anunciam: “Liquidação Total na Amazônia!” e “Promoção de árvores e animais...”. O humor bem trabalhado no emprego do protesto desperta a atenção dos telespectadores para um problema ambiental grave.
O reverente público espera que no trapézio da alegria, possa haver a certeza de acrobacias mais ousadas que não limite as reivindicações célebres de um País que sorri, mesmo com motivos para chorar.
Texto publicado originalmente no Canal da Imprensa
Palhaçada na tevê
Pororoca Espetacular
O cenário é o pôr-do-sol do Rio Araguari no Amapá. A trilha sonora para a cena do sol que reflete na água é uma sinfonia harmoniosa com um suspense encantador. As vozes sutis dos repórteres Regis Rosing e Glenda Kozlowski compõem a cena mística que se instala na ocasião. A reportagem do mês de dezembro de 2007 do Esporte Espetacular da Rede Globo, fala sobre a onda gigante que acontece no encontro do Rio com o Oceano, conhecida como “Pororoca”, recebe toques misteriosos.
Os repórteres continuam a viagem na busca do fenômeno “extraordinário e invencível”, como assim descrito inicialmente pelo apresentador do programa, Tino Marcos. No barco, com muitas redes de descanso, o passeio segue por 26 horas até o momento em que o mesmo encalha na areia. Com o risco do barco tombar, Rosing narra: “Enquanto passamos pelo drama, a natureza tenta nos acalmar e o silencio aos poucos vai tomando conta da mata”. Outras citações ao decorrer da reportagem exaltavam a Pororoca como algo ameaçador e indistrutível. Ao se deparar com a Onda de três metros de altura, Glenda confessa medo, mas garante que a natureza iria lhe ajudar.
A pretensão de Rosing em destacar o acontecimento do imprevisto na viagem e transformá-lo em algo impactante foje ao foco principal da reportagem. O insinuante clima místico imposto naquele momento possibilita ao telespectador fantasiar sobre possíveis “poderes” sobrenaturais da floresta. Isso destoa do caráter descritivo, real e suscinto de uma reportagem. A natureza não tem o poder de acalmar ou ajudar alguém, ela simplesmente existe e as fantasias humanas referente a ela não cabem em uma reportagem sobre o surfe praticado na ocasião.
O misticismo pode ser entendido como uma religião. Muitos o entendem como uma seita ou então, como algo que transmite sensações internas e agradáveis.
A linha editorial do Esporte Espetacular consiste em reportagens e entrevistas referentes ao esporte. Desse modo, não cabe “enfeitar” a programação com coisas que destoam da realidade esportiva. Às vezes, a fim de inovar, a criatividade é forçada e não se encaixa no contexto, na real essência.
O fato surpreendente da matéria se faz quando o surfista, Sérgio Laus, que disputava o Campeonato de Surfe na Pororoca, fratura uma vertebra em razão da força das águas do Rio Araguari. Os repórteres poderiam explorar mais esse fato e mostrar os fatores que fazem a onda ter grande impulsão. Outro aspecto interessante seria informar os truques contra acidentes utilizados por outros surfistas.
Na seqüência, um surfista bate o próprio recorde de tempo em cima da onda gigante. Após, os repórteres entregam o prêmio do recordista. Uma enorme Mandala indígena. Na cerimônia, Glenda diz: “Essa Mandala é para proteger e abençoar o recordista mundial nos próximos desafios”. A crença no sobrenatural novamente se faz presente nesse momento e a supertição é exaltada.
Na finalização da reportagem, Rosing e Glenda ressaltam o que a onda lhes ensinou e afirmam que ela (a Pororoca) deseja que todos vivam em paz e que possam assumir o papel do semelhante. Esse desfecho harmônico, com pitadas românticas não significa nada. Uma onda não ensina, o que pode acontecer é o ser humano aprender lições a partir de vivências ocorridas no momento em que teve contato direto com pontos determinados da natureza. Isso poderia ser interpretado de outra forma, pois o termo “a onda ensinou” pode ser também uma figura de linguagem. Mas a cena e a expressão dos repórteres mostram claramente a intensão de mistificação para o momento.
Mágica, mística, fenomenal ou simplesmente natural, apesar disso tudo, a Pororoca do Rio Araguarí prova que no Brasil existe a Onda Espetacular.
Texto publicado originalmente no Canal da Imprensa
A educação brasileira
Os índices atingidos no teste do Programa Internacional de Avaliação de Alunos ( Pisa) em 2006, realmente comprovam o grande déficit do Brasil na educação. O último lugar adquirido no exame reflete a desorganização e a péssima administração político-social do lugar.
Este país é pobre de “cultura”, pois esta mesma palavra se torna sinônimo de festas e futebol. Em nível mundial é transmitido um perfil de pessoas ignorantes. As mulheres são belas, mas fúteis e os homens másculos, mas intelectualmente inábeis.
O governo prefere investir na “cultura” do que na educação e isso resulta em alunos que não aprendem e professores despreparados e desmotivados. O ambiente em sala de aula é massacrante, e falar “pobrema” no lugar de “problema” se tornou comum e bonito, visto que até o presidente pronuncia erroneamente.
Ao comparar o Brasil com países europeus de alto nível intelectual, deve-se sentir profunda vergonha, mas isso não acontece. O brasileiro se orgulha da cultura de massa de seu país e visivelmente não se importa com a condição acadêmica que apresenta.
Seguindo uma visão ampla da sociedade brasileira e nas mais elevadas pretensões em obter uma solução para esse agravante social, a reestruturação política, educacional e cultural seria positivamente grandes fatores para alçar em busca de melhores condições de ensino para o Brasil.
A Lei na Folha
Atitudes, movimentos ou idéias. Todos os atos são regidos por leis. Seja um simples pensamento ou até mesmo uma ação mais ousada. A sociedade global obedece constantemente os paradigmas das regras conferidas, que podem ser de cunho religioso, social, acadêmico ou então, constitucional. E o jornalismo não foge disso. No Brasil existe a Lei de Imprensa. Promulgada em 1967 durante o período de Ditadura Militar, a Lei vigora até os dias atuais.
Recentemente ressurgiu um projeto que visa banir a presente Lei e adotar medidas menos ditatoriais. A própria imprensa dividiu-se com opiniões diversas e muitas polêmicas. A Folha de São Paulo, por exemplo, foi um pouco além, mas claro, manteve o caráter informativo e expôs ao leitor detalhes sobre o assunto.
No dia 21 de fevereiro deste ano, a Folha publicou a notícia de que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Ayres Britto, concedia uma liminar provisória para a revogação da Lei de Imprensa. Na matéria, o ministro alega que a lei regula a liberdade de pensamento e informação. Em citação, Britto dispara: "Imprensa e democracia, na vigente ordem constitucional brasileira, são irmãs siamesas". Essa afirmação pode denotar certo caráter apelativo ou ríspido. Comparar a liberdade de Imprensa com a democracia do Brasil realmente é algo forte. Num País em que democracia significa - para a grande massa - um simples poder de voto, denota a liberdade de Imprensa como algo democrático e de fácil resolução, algo da escolha da população. Mas as opiniões, seja na classe jornalística ou não, se divergem. Haverá limites para a liberdade?
Assunto delicado que exige dos veículos muita cautela ao retratá-lo. Informar sobre os fatos é o mais sensato. Mas o cuidado deve estar também nas entrelinhas da informação para não apresentar caráter sugestivo, às vezes num simples depoimento. Como no caso anterior. Mesmo sem intenção por parte da Folha, a afirmação do ministro pode transmitir ao leitor uma posição firmada e sugerir que a atual Lei de Imprensa manipula a liberdade da classe jornalística.
No dia seguinte à matéria anterior, a Folha estampa o título: "Serra diz que Lei de Imprensa é ‘produto genuíno da ditadura’". A notícia compara a Lei de Imprensa nos dias atuais e nos tempos de Ditadura Militar. A opinião do governador do estado de São Paulo ganhou ênfase pela editoria da Folha. Certamente ele é uma pessoa pública notável e sua opinião é relevante. Mas o jornal destacou de maneira astuta. Em determinado trecho, Serra diz que "A ditadura não tinha a menor simpatia pela imprensa livre e tratou de combatê-la e inibi-la com os meios à sua disposição. Um deles foi, exatamente, a Lei de Imprensa, nascida para cercear a informação e a crítica".
Juntamente com os citados segue outros títulos relativos ao assunto publicados na Folha: "Liminar suspende partes da Lei de Imprensa" e "Maior parte das democracias tem lei específica".
O modo como a Folha utilizou as informações deve levar a uma reflexão mais minuciosa. Todas as notícias mostraram opiniões e fatos que induzem o leitor a pensar apenas de uma maneira: a Lei de Imprensa inibe a liberdade de expressão. Atitude na qual é parcial. Faltou na Folha expor mais a opinião da população sobre o assunto, isso seria democracia. O outro “lado da moeda”, ou seja, a opinião de comunicadores que aprovam e convivem com a Lei de Imprensa também faltou. Isso seria parcialidade.
O jornalista e advogado Vinícius Laner, em artigo publicado no site UOL, coloca o assunto em debate e diz: "A Lei de Imprensa brasileira é detalhista ao tratar da responsabilidade do jornalista. Regulamenta o direito de resposta, caracteriza os crimes de imprensa e estabelece as penalidades e indenizações cabíveis. Então, a discussão da nova Lei de Imprensa centra-se nesses aspectos".
A antiga lei, uma nova Lei de Imprensa ou então a antiga reformulada, pode ser também uma nova lei das novas. O que importa é um consenso ou bom senso para fazer um jornalismo de compromisso, prestador de serviço e imparcial. Na Folha pode haver rabiscos, mas nunca rasuras que desonre a estrutura do "primeiro jornal em tempo real".
Texto publicado originalmente no Canal da Imprensa
Trabalho para menores
A exploração de crianças e adolescentes é um grave problema no Brasil. O trabalho infantil prejudica o desenvolvimento psicológico, físico, social e acadêmico.
"Vai uma bala aí tio?”. Essa expressão é comum aos ouvidos de quem freqüenta diariamente o trânsito movimentado das metrópoles. Diversas crianças assim como o menino do semáforo, autor do termo, se expõem em rotinas extensas de trabalho. Entre várias profissões, meninos e meninas dedicam horas do seu dia em atividades desgastantes e até mesmo perigosas.
Segundo dados fornecidos pela Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ao site Wikipédia, o número de crianças que trabalham ultrapassa cinco milhões no Brasil. Desse número, mais da metade dos trabalhadores são meninos, em diversas idades. As atividades exercidas por essas crianças variam. O ambiente de trabalho pode ser em canaviais, minas de carvão, construção civil, metalúrgicas, na arrumação da casa de pessoas sem parentesco direto, entre outros.
Famílias muito pobres com renda insuficiente para suprir as necessidades básicas contam com o trabalho dos filhos mais velhos, mesmo que esses sejam menores de idade. Lares desestruturados sem bases sólidas para o desenvolvimento pleno, famílias abaladas pela separação ou morte e até mesmo o número elevado de filhos faz com que jovens ingressem no trabalho precocemente. Outro fator que contribui para o egresso das crianças ao mercado de trabalho encontra-se com raiz em problemas sociais, como a falta de emprego ou dificuldade na procura deste. A professora Maria do Carmo Ferreira expôs um artigo no Diário Popular de Pelotas-RS, no dia 10 de agosto deste ano, sobre o trabalho infantil e afirmou que o trabalho, em geral no Brasil é imprescindível, porém bastante escasso. “O trabalho no Brasil é muito necessário e é tão difícil o pai ou a mãe conseguir um emprego que acabam colocando seus filhos, ainda em idade escolar, no mercado de trabalho”.
O que diz a lei
Trabalho infantil é toda tarefa desempenhada por crianças com idade menor da permitida pela legislação brasileira. O Estatuto da Criança e do Adolescente é um conjunto de leis criado no ano de 1990, que garante os direitos e deveres de crianças e jovens. Esse Estatuto assegura as leis aprovadas pela Constituição Federal. Esta por sua vez prevê que a idade permitida para trabalhar, em geral, é de 16 anos. Mas no caso de trabalhos que ameacem a segurança e a saúde faz-se necessário a idade mínima de 18 anos. O jovem também pode, na condição de aprendiz, iniciar no emprego aos 14 anos.
No Brasil, o trabalho infantil não é denominado crime de acordo com a legislação vigente. Este se faz ilegal conforme o modo nocivo em que se enquadra. Casos de maus-tratos, exploração, prostituição e pornografia são atos criminosos. Essa situação confunde diversos cidadãos, pois a própria lei que proíbe não é capaz de punir.
De acordo com o Estatuto, a criança possui direito de estudar conforme consta no artigo de número 53, citado a seguir e retirado do site www.planalto.gov.br do Governo Federal, mas isso não é cumprido em totalidade no Brasil. Do artigo 53, “a criança e o adolescente têm direito à educação, ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho”. Além disso, o mesmo assegura a igualdade de condições para acesso e permanência na escola, a participação em entidades estudantis e o acesso à escola pública gratuita. Os direitos de ser respeitado pelos educadores, de contestar critérios avaliativos e recorrer às instâncias escolares superiores também ganham ênfase. Tal artigo define ainda, a responsabilidade dos pais no processo pedagógico e participação na definição das propostas educacionais.
Entidades defendem crianças e adolescentes
Entre diversas entidades que atuam no País e visam o pleno desenvolvimento da criança e do jovem, cabe destacar o valioso trabalho desenvolvido pela OIT (Organização Internacional do Trabalho), Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e Peti (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil).
A OIT foi fundada em 1919 e seu objetivo principal é promover a justiça social, por isso sua ligação direta com a erradicação do trabalho infantil no Brasil. Em geral, a organização preocupa-se em buscar melhorias para as condições de trabalho no mundo.
Criado em 1946, o Unicef possui embaixadores em diversos países. No Brasil, os artistas Renato Aragão e Daniela Mercury são incumbidos de arrecadar fundos que serão encaminhados para causas sociais direcionadas às crianças, em especial para a erradicação do trabalho infantil. O engenheiro e gestor do portal Nosso São Paulo (www.nossosaopaulo.com.br), Célio Franco, elogiou no site o trabalho desenvolvido pelo Unicef. “Parabenizamos esta reconhecida entidade internacional, Unicef, pelo muito que tem feito em prol das crianças e jovens do mundo, durante toda a sua existência, com o objetivo de coibir as práticas infames de escravidão infantil, de fazer respeitar a criança e o jovem e construir um mundo melhor e mais digno para todos”.
O Peti é programa do Governo Federal para erradicação do trabalho infantil. Esse tem como objetivo terminar com todas as formas de trabalho infantil no País a partir de um resgate da cidadania e inclusão social das famílias.
Um problema social
O trabalho dessas entidades faz diferença para várias famílias. Entre eles, o mais conhecido pela população em geral, é a campanha da Unicef, devido a divulgação na mídia. Todos possuem grande relevância, mesmo sendo um trabalho lento a fim da erradicação total.
Ao analisar o contexto político-social brasileiro em que o índice de desemprego para adultos é elevado, a ironia se faz ao descobrir que os adultos estão desempregados e as crianças trabalham. A indagação então consiste em saber se também não falta emprego para as crianças. Mas a resposta é rápida e objetiva: não. Esse emprego realizado pelas crianças poderia ser exercido pelos adultos, mas a diferença é que no Brasil não existe trabalho infantil e sim, exploração de menores.
Memórias de prata
Aspecto jovem e dinâmico. Muitas fotografias, ilustrações, cores fortes e vibrantes, letras modernas e textos agradáveis. O título: Unasp 25 anos. O logotipo feito para a comemoração do aniversário em 2008 ganha destaque sobre o brilho prateado ressaltado na capa do livro-reportagem retrato. Após meses de pesquisas, reportagens e depoimentos, os alunos Daniel Lüdtke, Delmar Reis, Caroline Ferraz e Natiéli Schäffer puderam ver seu projeto de conclusão de curso finalizado. Além de um simples trabalho de pesquisa, o sonho de ver o registro histórico da instituição que fez parte de suas vidas por anos, foi realizado. Com objetivo de registrar a história e promover o campus, os alunos resgataram as memórias quase perdidas no tempo.
Segundo Lüdtke, a falta de documentos jornalísticos que registrem a história do Unasp, Campus Engenheiro Coelho, motivou o grupo na realização do projeto. "A instituição irá fazer 25 anos e seu passado logo seria esquecido. O único livro que registra a história do Unasp é o que foi elaborado nos 15 anos da instituição", relata. O grupo contou também com a colaboração dos pioneiros do lugar, que forneceram fotografias e relatos sobre o começo da instituição. Foi registrado desde o primeiro pilar a ser erguido no Novo IAE – primeiro nome do campus – até os detalhes sobre a modernização do então Unasp.
O livro descreve as primeiras aulas dadas e mostra o ambiente físico em que ocorriam. Faz um paralelo ao longo dos anos sobre o percurso da instituição, sua evolução e contribuição para o crescimento da educação adventista no Estado e no País.
Na atualidade, o cotidiano de uma aluna do internato foi acompanhado detalhadamente e registrado no livro. Toda rotina foi explorada e divulgada para mostrar os benefícios espirituais, físicos e sociais ao morar na instituição de ensino para então, incentivar o egresso de jovens ao internato do Unasp.
O último capítulo aborda a influência direta do campus na contribuição econômica e social para a cidade em que está localizado, Engenheiro Coelho, e para a região. Ganha ênfase também as perspectivas do atual centro universitário em se tornar universidade. Os projetos para a implantação de novos cursos, a representatividade na vida de alunos bolsistas e a visão externa da instituição são evidenciados no final do livro.
O livro-reportagem retrato sobre os 25 anos da instituição encerrou as apresentações dos formandos em Jornalismo na noite da terça-feira, 27 de novembro, com a possibilidade de publicação e divulgação para a comemoração de seu aniversário no primeiro semestre do ano que vem.
Os orientadores do grupo foram os professores Allan Novaes e Kenny Zukowski. Novaes orientou a parte escrita do projeto e Zukowski ficou responsável pela orientação gráfica. A banca avaliadora foi composta pelos professores: Wagner Cantori, Allan Novaes e Kenny Zukowski. O coordenador do curso, Martin Kuhn, também estava presente na avaliação.
Texto publicado originalmente no Canal da Imprensa
Mas antes, Veja as fontes
A ausência do depoimento de especialistas, testemunhas ou pessoas envolvidas no fato em questão faz com que a reportagem seja apenas um espaço com meras palavras jogadas em uma folha. São palavras ao vento, pois não transmitem credibilidade e, assim, apagam-se com rapidez da mente do leitor. "...palavras apenas, palavras pequenas, palavras momento, palavras, palavras, palavras ao vento...", já dizia Cássia Eller, intérprete da música "Palavras ao vento".
Uma reportagem se dá a partir do relato concreto, esplanado pelas fontes nela apresentada. E a revista Veja gosta de brincar no arriscado jogo do "diz que me diz", como na reportagem de capa da edição de 3 de outubro de 2007, intitulada "Che, a farsa do herói". Essa reportagem especial foi alvo de muitas críticas por não demonstrar confiabilidade. Como exemplo, temos o texto "Che e as calúnias de Veja", publicado no jornal Hora do Povo, em 10 de novembro deste ano. Nele, o jornalista Carlos Lopes acusa Veja de manipular os fatos: "Quais são as fontes de 'Veja'? Dois assassinos do Che. Os dois com o estigma queimando na pele e fazendo qualquer negócio para apagá-lo. Por isso, atribuem ao Che o seu próprio estigma de assassinos e covardes". Nessa matéria, a revista utilizou embasamentos teóricos e biográficos, sem descrição de fontes que revelassem algo extraordinário sobre o revolucionário. Veja, foi no mínimo infeliz ao atacar um personagem de grande conotação popular sem ter provas suficientes para isso.
Na mesma reportagem, a revista comparou Che Guevara com revolucionários históricos e afirmou: "Por suas convicções ideológicas, Che tem seu lugar assegurado na mesma lata de lixo onde a história já arremessou há tempos outros teóricos e práticos do comunismo, como Lenin, Stalin, Trotsky, Mao e Fidel Castro". Notoriamente, a revista gosta de utilizar esses personagens como referência para comparações. Na edição de 5 de outubro de 2005, os mesmos líderes foram comparados na matéria "Referendo da fumaça", em que a Veja posicionava-se a favor do "não" ao desarmamento. No texto, entre as sete razões que induziam o leitor a votar "não", estava no terceiro tópico a seguinte citação: "O desarmamento da população é historicamente um dos pilares do totalitarismo. Hitler, Stalin, Mussolini, Fidel Castro e Mao Tsé-Tung estão entre os que proibiram o povo de possuir armas". A revista, por ser um veículo sério e profissional não deveria citar esses exemplos, já que o referendo de armas se passava em contexto e época indiscutivelmente diferentes. Mas Veja novamente se posicionou frente a esse momento polêmico do País. Nessa mesma edição, expôs em uma citação sua opinião, sem ao menos buscar referências ou depoimentos de especialistas que comprovassem para o leitor os benefícios da idéia que defendiam.
Cabe destacar também que a reportagem de capa "Questões de pele", de 5 de julho de 2006, trouxe um infográfico informativo referente ao tipo, cuidados e características de diferentes peles. Elaborado pel a médica americana Leslie Baumann, chefe do Centro de Dermatologia Cosmética da Universidade de Miami, a ilustração apresentou dicas dermatológicas para cuidar da pele. A citação de que a pesquisa foi elaborada pela médica aparece apenas no início da reportagem e não como fonte no infográfico. Leitores que exploram apenas o recurso do gráfico, não percebem a relevância do conteúdo, por não conter a fonte relacionada próximo ao infográfico.
"Sem limites para a barbárie" foi o título que a revista deu para o crime que chocou o Brasil em 14 de fevereiro de 2007. A foto do menino João Hélio, de seis anos, que foi brutamente assassinado por bandidos no Rio de Janeiro, estava na matéria de capa da Veja. A reportagem segue com a descrição do crime e na pausa entre uma narração e outra, discorre um texto opinativo em destaque sem citação da fonte. Entende-se, portanto, que esta seja a postura da revista e que a mesma assume a posição de "voz do povo". Apenas no final, apresenta a opinião de especialistas sobre possíveis soluções para a violência no País.
Em geral, a Veja gosta de se posicionar diante de acontecimentos polêmicos. Pelo fato de ser um periódico histórico de grande conotação, pensa ter o direito opinativo sobre os brasileiros. Consideravelmente, a revista possui o direito de expor sua opinião, mas que esta seja feito em um editorial específico e não inserido em trechos de reportagens. Por ser um veículo de caráter interpretativo, a revista confunde-se por vezes, em opinar sem embasamento de especialistas. Em alguns momentos, Veja assume posicionamento tendencioso e isso faz com que oculte certas fontes e se torne parcial.
A revista deve entender que nem sempre a fonte diz o que o veículo deseja "ouvir". Mas a opinião delas deve ser respeitada acima de qualquer indução, pois são elas que constroem a realidade dos fatos. São as fontes que ordenam as marcas na folha em branco para construir um relato e não ser apenas meras palavras ao vento.
Texto publicado originalmente no Canal da Imprensa
O mundo nas ondas da CBN
A Central Brasileira de Notícias (CBN) sabe validar com competência seu slogan que diz: "A rádio que toca notícia". Comprometida com os fatos relevantes, informa os brasileiros sobre os acontecimentos mundiais. Diante de uma série de ocorrências, em geral, a rádio aborda as notícias importantes no contexto global.
Ela expõe com qualidade, quase diariamente, as principais notícias do mundo. Porém, o espaço de destaque para essa editoria é pequeno e as informações são anunciadas rapidamente. Fugindo da regra, em alguns dias as notícias internacionais ocupam mais destaque na programação. Foi o caso da grade do dia 26 de outubro deste ano, que abordou cerca de sete matérias e uma entrevista com o analista político Rosendo Fraga, sobre a disputa presidencial na Argentina, em que a candidata Cristina Kirchner ocupava a liderança. Fato no qual teve grande repercussão mundial, pois ela era comparada com a líder da política no país na década de 40, Evita Perón. A CBN fez uma apuração minuciosa das eleições e informou desde a opinião popular até o resultado final.
Pelo fato de pertencer a uma grande rede como o Sistema Globo de Rádio, nota-se a facilidade da editoria em ter correspondentes no exterior. A CBN pode ter acesso a repórteres de outros programas da rede e enriquecer a apuração dos acontecimentos.Com repórter direto de Buenos Aires, a rádio abordou em uma única e completa matéria a apuração final das eleições na Argentina. Talvez, um pronunciamento da eleita enriqueceria a edição do dia, mas não houve. Diante das notícias em destaque, ao menos uma em cada data, estão repórteres que se encarregam em apurar o fato no local em que aconteceu. Na quinta-feira, 1.º de novembro de 2007, a correspondente Rosean Kennedy expôs direto de Londres informações referentes ao caso do brasileiro Jean Charles, assassinado pela polícia britânica em julho de 2005. O fato de a repórter estar mais próxima dos fatos caracterizou melhor a matéria, que descreveu a condenação dos policiais. Em outro caso, na notícia do dia 31 de outubro de 2007, a repórter da BBC Brasil, Anelise Infante, acompanhou para a CBN, direto de Madri, o julgamento de 28 pessoas envolvidas em um atentado ao metrô da cidade em 2004. A apuração da jornalista fez com que os ouvintes soubessem de detalhes, como gritos indignados da população pela absolvição de oito envolvidos.
A partir do critério de seleção utilizado pela rádio na divulgação do acontecimento mundial, ela opta em geral, por notícias catastróficas relacionadas às condições climáticas ou violência. Fatos que atingem de modo direto ou mesmo indireto os brasileiros também são matérias da editoria. Notícias como a de Jean Charles, tiveram direito a três matérias em dias consecutivos, além da citada acima. Isso ocorreu devido ao personagem central ser um brasileiro, e pelo fato de ter repercutido em nosso País na época do acontecimento.
Na terça-feira, 30 de outubro de 2007, a rádio não noticiou matérias internacionais. Esse fato mostra um descuido por parte dos editores, pois notícias certamente aconteceram em nível global. A matéria intitulada "Rei da Jordânia pede que China se envolva mais com Oriente Médio", do site da Agência Internacional Reuters, poderia ser noticiada no veículo deste dia. A matéria conta que autoridades israelenses e palestinas preparam-se para uma conferência de paz convocada pelos Estados Unidos no final deste ano, em que a China pode ajudar a garantir um progresso no acordo. Matérias como: "Helicópteros turcos voltam a atacar posições de rebeldes curdos" e "Enfraquecida, tempestade Noel leva chuvas para Cuba", seriam essenciais para a edição do dia 30. A primeira seria uma seqüência das matérias já noticiadas na CBN nos dia 26 e 28 de outubro de 2007. E a segunda que tranqüiliza a população em relação à tempestade Noel, seria fundamental, pois no dia anterior a emissora noticiou que a mesma tempestade deixara cerca de 20 mortos em passagem pela República Dominicana.
Manter o caráter de novidade de informação e a diversidade de assuntos deve ser os principais objetivos da editoria internacional do veículo. Captar a notícia direto do foco de origem com os correspondentes internacionais e noticiá-las em "primeira-mão", certamente farão o sucesso da rádio. Homens bombas, Hugo Chávez, Fidel Castro, Cristina Kirchner ou até mesmo Bin-Laden, o importante é informar com qualidade sem ignorar nenhum fato, pois os acontecimentos externos refletem também em nosso País.
Nas ondas da CBN, as notícias podem vir de vários países. Independente da origem, o que os ouvintes esperam é que nesse mar de catástrofes e desacordos, a rádio traga também uma maré de boas notícias globais.
Texto publicado originalmente no Canal da Imprensa
Em defesa do “Não”
O Referendo ao Desarmamento foi uma campanha do Governo Federal em que todos os eleitores do País tiveram que decidir em abolir ou não, a compra de armas de fogo no Brasil.
Diversas mídias se posicionaram frente a essa votação e ocuparam o papel de formadores de opinião pública. A parcialidade não houve diante dessa campanha. A função de informar e mostrar os dois lados da situação não aconteceu por parte da maioria das mídias.
Em geral, o posicionamento das principais mídias estava escancaradamente a favor do “Sim” ao desarmamento. Muitos anúncios publicitários, jornais, revistas e programas de televisão e rádio se posicionavam em campanhas que estampavam junto com o “Sim”, imagens relacionadas à paz. Foi um apelo ao que a mídia julgava ser correto e não a opinião do povo.
A Revista Veja, publicou também a sua opinião. Em contraposição ao que as demais mídias expunham, a revista defendeu o outro lado. O “Não” foi capa da edição do dia 5 de outubro de 2005, contextualizado na seguinte frase: “7 razões para votar NÃO”. Abaixo disso outra frase dizia: “A proibição vai desarmar a população e fortalecer o arsenal dos bandidos”. Além das frases, a capa possuía a ilustração de um jovem no meio de muitas armas com as mãos em forma do símbolo da paz (pomba).
O assunto ocupou a parte central da revista em uma reportagem especial. O título “Referendo da fumaça” estava estampado na primeira página da matéria. No início da reportagem, Veja expôs claramente sua opinião: “VEJA acredita que a atitude que melhor serve aos interesses dos seus leitores e do país é incentivar a rejeição da proposta de proibição. O sucesso de uma consulta popular deriva, antes de mais nada, da correção e da honestidade da questão a ser respondida pelos cidadãos. A pergunta que será feita no referendo das armas é um disparate. Ela ilude o eleitor. É uma trapaça, pois, mesmo que o SIM vença por larga margem, "o comércio de armas de fogo e munição" no Brasil vai continuar sendo exercido com todo o ímpeto pelo contrabando em nossas porosas fronteiras e pelos eficientes agentes do mercado negro – alimentado em grande parte pelas próprias autoridades policiais encarregadas de desbaratá-lo”.
Apesar de alguns “achismos”, a revista se embasou também em pesquisas mais consistentes e declarou os sete motivos pelos quais defendia sua idéia. Divididos em subtítulos, com textos explicativos, são eles:
- Os países que proibiram a venda de armas tiveram aumento da criminalidade e da crueldade de bandidos.
- As pessoas temem as armas. A vitória do “SIM” no referendo não vai tirá-las de circulação no Brasil.
- O desarmamento da população é historicamente um dos pilares do totalitarismo. Hitler, Stalin, Mussolini, Fidel castro e Mao Tsé-Tung estão entre os que proibiram o povo de possuir armas.
- A política brasileira é incapaz de garantir a segurança dos brasileiros.
- A proibição vai alimentar o já fulgurante comércio ilegal de armas.
- Obviamente, os criminosos não vão obedecer à proibição do comércio de armas.
- O referendo desvia a atenção do que deve realmente ser feito: a limpeza e o aparelhamento da política, da justiça e das penitenciárias.
Em outra edição da revista no dia 26 de outubro de 2005, foi publicado em sua capa a seguinte frase: “7 soluções testadas e aprovadas contra o crime”, acima disso a frase: “Depois do referendo, vamos ao que interessa:” e a ilustração de duas armas, saído destas as palavras “Sim” e “Não”.
Na parte interna da revista seguia o artigo com o seguinte título: “Depois de brincar de
referendo, é hora de falar sério”. A revista se posicionava mais uma vez e dizia: “... O referendo das armas no Brasil tem algo dessa ilusão coletiva de que se pode vencer um inimigo poderoso, o crime violento, apenas pela repetição de mantras e mediante sinais feitos com as mãos imitando o vôo da pomba branca da paz. Infelizmente a vida real exige mais do que boas intenções para seguir o vetor do progresso social...”. Visto que essa edição viera após a votação, a revista concluiu o assunto com a citação: “Enquanto esse tráfico não for interrompido, podem ser organizados milhares de referendos e o problema do crime continuará do mesmo tamanho”.O posicionamento da Revista Veja denotou muita critica por parte da mídia. O articulista Alberto Dines, publicou no site do Observatório da Imprensa no mesmo dia em que saiu a primeira edição da revista sobre o Referendo, o texto “Mimos da Veja” e afirmou:
“A matéria de capa da Veja (nº 1925, 5/10/2005, págs.78-86), sob o título geral
"7 razões para votar não", é um clássico do jornalismo panfletário, capaz de
convencer alguns indecisos por algum tempo e confundir outros para sempre.Para
começar: a matéria é prepotente e precipitada. Deliberadamente facciosa, sequer
tenta uma isenção formal. Neste início da temporada de debates sobre o referendo
das armas, com ainda três edições antes do 23 de outubro, ao invés de ensaiar
uma progressiva troca de idéias capaz de suscitar o contraditório e algum
esclarecimento antes de se acionar a urna, a revista berra para o leitor – ‘Cala
boca, você não sabe nada’”.
O mesmo articulista citou no dia 11 de outubro de 2005 no Observatório da Imprensa, o texto do ouvidor da Folha de SãoPaulo, Marcelo Beraba, que dizia:
"A imprensa é pelo sim, só que isso é escamoteado" e "Se a matéria de Veja fosse
‘Sete razões para você votar no sim’ não teria causado o escândalo que causou".
Dines afirmou ainda no mesmo artigo: “Aquela matéria de capa de Veja (nº 1925,
5/10/2005, págs.78-86) representa um exemplo de mau jornalismo e péssimo serviço
público. Mas graças a Marcelo Beraba ela suscitou um debate que precisa
estender-se até o início da próxima campanha eleitoral”.
O articulista, ao expor sua opinião no artigo fez exatamente o que condenou na revista, se posicionou diante da situação. Notoriamente a opinião deste se fez pelo “sim”, mesmo talvez, sem querer expressar isto.
A revista foi criticada pelas mídias porque não concordou com a opinião e as campanhas feitas por elas. Mas de certo modo, fez, mesmo que de forma “maquiada” o que as outras mídias fizeram: a manipulação da opinião pública.
O Referendo passou e hoje nem sequer há discussão sobre o que há dois anos era um grande problema para o País. O que continua na atualidade é a aceitação de tudo que vem da mídia, sem ao menos criticar e analisar o fato independente. O povo precisa entender que opinião é direito e uma boa crítica não faz mal a ninguém.
Observatório da Imprensa: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/
Uma TV para o povo
A TV no contexto brasileiro, que se encontra em grande parte inserida numa cultura massificada, é vista como sinônimo de entretenimento. O povo, em geral, não quer uma televisão que retrate a realidade com temas sociais e políticos. A inserção da TV pública pode ser no mínimo, um alvo insignificante diante das grandes potências televisivas no Brasil. Num âmbito político, a Rede Globo possui significantes influências para continuar sendo a primeira do país.
Um canal de televisão com informações jornalísticas, acadêmicas, debates e temas culturais. A TV pública no Brasil, como as de outros países, seria o modelo perfeito com esse conteúdo relevantemente culto. Mas, qual o sentido da TV pública para um país inserido em uma cultura novelística? Como prova disso, temos exemplos reais de canais como “TV Senado” , “TV Cultura” e outros, que tornam-se insignificantes na memória dos brasileiros. A população opta por uma programação que não retrate a realidade. O papel funcional da televisão para nosso país, é de entretenimento. Quando o trabalhador pobre, analfabeto e isolado da “sociedade culta” chega em casa, quer, junto com sua família um espaço de reunião e diversão. Nesse caso, o mais viável a ele, são os programas que a TV apresenta. Isso diverte a família e as emissoras sabem disso. As novelas alcançam altos índices de audiência porque seguem essa proposta.
De acordo com o artigo “Alô, alô, TV Pública: aquele abraço” de Bernardo Kucinski, publicado no Observatório da Imprensa em 11 de setembro deste ano, a TV pública deve ter o objetivo de reproduzir informações jornalísticas, culturais, críticas e também entretenimento. “A competição da rede pública não é com a do estado, é com a da empresa privada”, afirma.
O livro “Desafios da TV pública: necessidades e caminho” de Laurindo Leal Filho, apresenta dados de uma pesquisa, na página 116, e expõe que as pessoas entrevistadas querem uma TV de qualidade, uma programação cultural e educativa. Mas apesar disso, conclui que as pessoas declaram uma coisa e na realidade fazem e desejam outra.
Quando fala-se em TV pública não pode-se deixar de aboradar também a TV digital. Na atualidade, a televisão pública associa-se a digital, pois com a chegada da nova transmissão, a TV aberta ganhará novos canais. E esses, por sua vez, pertencerão exclusivamente ao governo. O jornalista do “Estadão”, Renato Cruz, publicou em seu blog no dia 26 de setembro deste ano, um artigo intitulado “O PT e a democratização da TV”, no qual ressalta que o governo perdeu uma grande oportunidade em aumentar a pluralidade da televisão. “No lugar de reservar quatro canais para a TV Pública, sem saber nem como irá preenchê-los, poderia ter leiloado concessões em todo o País, que permitiriam a formação de novas redes de televisão”, destaca. Com essa medida, o governo acabou protegendo as emissoras vigentes, pois não terão concorrência de mesma categoria.
O grande questionamento, e para alguns preocupação, gira em torno do que será feito com esses quatro canais. O governo deverá ter cuidados no que deseja veicular na programação das emissoras para que se torne realmente uma televisão com fins públicos, e não estatal. Cruz, indaga ainda no mesmo artigo, sobre as verbas do governo para a elaboração dos programas. “Com quatro canais, a TV Pública poderia passar 32 programas em definição padrão ao mesmo tempo. Como financiar a produção de tanto conteúdo?”, questiona.
Certamente o controle do que seria veículado garantiria a boa imagem do governo em gestão. É impossível idealizar a hipótese que o governo faria uma emissora imparcial. O mandato da vez garantiria seu status e pensaria na reeleição futura, mas é claro, de forma sutil e implícita.
O que não é aconselhável ao brasileiro é a idealização de um modelo perfeito de TV pública em nosso País. Num lugar em que nem tudo o que se promete é cumprido, e que forças políticas estão acima dos bens sociais e culturais, o compromisso com o povo fica em segundo plano diante de alianças políticas. A Rede Globo manda no Brasil, dita regras, constrói, alimenta a massa do país e dirige o pensamento atravéz de suas ideologias sociais. Isso garante altos índices de audiência, pois “supre” as necessidades do povo e o mesmo garante a emissora uma fortuna crescente.
Que o governo possa então, encontar soluções para implantar uma TV que ocupe o espaço na mente da população em que as novelas estão fixadas. Elaborar projetos de programações acessiveis a “cultura inculta” do povo de massa e atingir todas as classes com conteúdos significativos para inovar a televisão brasileira. Ocupar, enfim, o posto da Rede Globo, como primeiro lugar na vida das pessoas. Infelizmente, essa idealização além de sonhadora, é no mínimo utópica.
Sensualmente Agora
Jornal popular com ilustrações quentes e reais. O texto "picante" que aparece sutilmente em algumas editorias não tem restrição de idade na leitura do Agora São Paulo.
Modelos seminuas, celebridades em contexto erotizado e cores chamativas que despertam desejos. Esse conteúdo extravagante não faz parte de nenhum material de revista erótica. Num conjunto sensual, o jornal Agora São Paulo chama a atenção pelas fotos das belas modelos que estampa.
A edição de número 3137, de 22 de outubro de 2007, mostra na página A2 uma foto que ocupa praticamente todo o espaço da folha. Trata-se da assistente de palco do programa Melhor do Brasil, da Rede Record, que posou de biquíni para o jornal. A fotografia recebeu o título de "O melhor filé do Brasil", sendo o vocábulo "filé" em tons vermelhos para destacar o trivial adjetivo à moça. Na nota que segue abaixo, o colunista da seção explica que a modelo pretende seguir a carreira artística e para finalizar comenta que ela pode ser o que quiser, pois é "o melhor filé do Brasil". Nessa declaração o escritor induz o leitor a pensar que ter um corpo bonito, como o da assistente, justifica qualquer ato da jovem. Em outras palavras, afirma que quem possui beleza não precisa de qualificação e conhecimento acadêmico.
Na mesma edição, o caderno de esportes Vencer exibe na primeira página uma foto do jogador do São Paulo Futebol Clube (SPFC), Jorge Wagner, em que morde uma parte da camisa e mostra seu abdômen na comemoração de um gol. A foto não foi propositalmente sensual, mas mostrou a boa forma do jogador. O editor poderia ter utilizado uma ilustração mais contextualizada, como a que foi exposta na capa. Nesta, aparece Wagner na mesma pose, porém a figura de dois colegas de equipe faz com que a fotografia não destaque tanto o corpo do jogador. Faltou bom senso por parte da editoria.
No caderno sobre o Grande Prêmio (GP) do Brasil 2007, o título da página C12 é "Beldades nos boxes". Em destaque, aparece a foto da jornalista e ex-amante do senador Renan Calheiros, Mônica Veloso, com o título "Capa da Playboy distribui beijinhos em Interlagos". O texto fala que ela foi assediada pelos torcedores, posou diversas vezes para as fotos e não se cansou de distribuir beijos aos fãs. A jornalista, como é ainda indevidamente chamada, gostou do título de "estrela" e deslumbrou-se com a fama. A ex do senador decidiu explorar suas curvas ao invés de usar seus conhecimentos acadêmicos. Certamente posar nua para uma revista masculina lhe renderá muito mais dinheiro.
Na mesma página de Mônica, está a Miss Brasil 2007, Natália Guimarães. Em uma foto que ressalta os seios, aparece em destaque na legenda a palavra "sensual" e afirma que a moça "deixou a platéia boquiaberta com sua sensualidade". Em seguida, o figurino despojado da Miss é descrito e o short curtinho com a blusa branca é comentado pela repórter.
A mídia sabe explorar essas celebridades instantâneas e fazer delas uma grande notícia. E foi assim que o jornal Agora São Paulo fez na oportunidade que teve na cobertura do GP Brasil 2007. O imerecido destaque à Mônica e o insignificante atributo à Natália foram irrelevantes diante do evento. Não mereceria a matéria de meia página que teve.
O "Carocinho da Semana"
E o carocinho dessa semana foi a modelo fotográfico, Cristina Lima, de 22 anos. Esse termo vulgar é usado na foto da coluna do jornalista Vitor Guedes, na contracapa do Agora São Paulo. Na seção, a modelo aparece nua, pois não se pode considerar como roupa o minúsculo emblema de seu time que ocupa metade de suas nádegas. Além disso, conta a experiência sexual marcante de sua vida. No final da seção, o colunista avalia: "Delícia campeã para comemorações efusivas. Frente e verso cinco estrelas". Para quem deseja participar da coluna, Guedes pede que a leitora mande uma foto sensual com a camisa do time que torce para concorrer ao título "Carocinho da Semana".
Na mesma página, o jornalista apresenta notas críticas ao esporte que envolve termos pejorativos com vocabulário grosseiro. Dirige-se ao público como "fogosa leitora e descontraidaço leitor" e utiliza períodos como, "pior do que encoxar a mãe no tanque ou espiar a filha tomar banho pela fechadura". No dicionário de Guedes, o que falta é a palavra respeito.
Em geral, nota-se que o jornal é destinado às classes D e E. Mas esse fato não permite que os colunistas e editores desrespeitem os leitores com palavras vulgares e fotos eróticas. Cabe à direção do jornal uma classificação de conteúdo para não deturpar o padrão moral da sociedade. O leitor que deseja adquirir material pornográfico deve procurar uma revista especializada no assunto, em que a venda é proibida para menores de idade. Infelizmente, alguns jornais populares apelam ao sensacionalismo e exploram a sensualidade para vender mais exemplares. Que Agora seja diferente para mudar esse conceito dos jornais de categoria popular.
Texto publicado originalmente no Canal da
Imprensa no dia 25/10/2007
Pecados tropicais
Carícias, agarros, longos beijos e excitação. Esse conteúdo erotizado não faz parte de nenhum filme indicado para maiores de 18 anos. Na verdade, situações como estas são expostas freqüentemente na telinha de qualquer família. Basta ligar o televisor e esperar a novela começar.
"Sou 'profissa' de 'catiguria'", corrige a vulgar Bebel, interpretada pela atriz Camila Pitanga, em uma conversa com Marion ( Vera Holtz) na qual a chama de profissional do sexo. A personagem ilustrada pelos autores Gilberto Braga e Ricardo Linhares na trama das 21horas, da Rede Globo, denota um perfil sensual e extravagante. Roupas curtas de cores chamativas e o clássico batom rosa choque estampado na boca despertam a atenção do público. Paraíso Tropical, que no trocadilho poderia tranquilamente se chamar "Paraíso Sexual", explora o universo lascivo na interpretação de certos personagens.
Na cama com mais um cliente, a câmera dá o "close" nas costas da personagem, que sutilmente desabotoa o sutiã. Novamente enfoca o rosto de Bebel, que demonstra gostar do que faz. Entre um expediente e outro, a moça ainda arranja tempo para satisfazer os desejos do cafetão Jader (Chico Diaz) e garantir algumas vantagens. Em um episódio, esfrega-se em seu patrão e diz: "Eu sou 'cara', tá?". Sendo assim, ganha o posto de ser "exclusiva", como a própria personagem diz, do empresário Olavo (Wagner Moura).
O vocabulário trivial empregado na novela denota o apelo sexual feito pelos autores. Expressões como "sua vadia", "cueca manera", "vagaba" e "fogo no rabo" passam corriqueiramente entre um capítulo e outro. Cenas de sexo em que a prostituta aparece na cama com o amante Olavo são mostradas de forma implícita.
As cenas sensuais escondem-se por trás das tramas policiais abordadas na novela. O grande questionamento sobre a morte de Taís (Alessandra Negrini) fez com que os capítulos quentes de Bebel passassem quase despercebidos pela mente do telespectador. Tanto que a polêmica sobre prostituição no Brasil não entrou em questão. O comércio sexual em nosso País não foi abordado, sendo que, seria esta uma grande oportunidade para debater o tema. O que Paraíso Tropical fez foi divulgar as "curvas" das belas mulheres brasileiras e propagar o tráfico para o exterior.
O jornal Extra, do dia 27 de setembro deste ano, expôs em uma nota o seguinte título: "Bebel, a princesa do povo". A matéria relata sobre a popularidade da personagem e ressalta que seu jeito bem-humorado fez até seus erros gramaticais ganharem espaço no cotidiano do povo.
Em outra trama, também da mesma emissora, a luxúria ocupa destaque entre os demais pecados. A novela do autor Walcyr Carrasco, não poupa em insinuações sensuais. Linda, rica e extravagante, a personagem Beatriz (Priscila Fantin) não economiza na sensualidade para conseguir tudo o que deseja. Mesmo se o que almeja é um homem casado, no caso, Dante (Reynaldo Gianecchini), que é seduzido após muitos planos de conquistas elaborados pela maliciosa "patricinha".
O primeiro capítulo de Sete Pecados já indicava a forma em que a luxúria atuaria. Beatriz, então namorada de Pedro (Sidney Sampaio), é flagrada aos agarros com outro homem em uma praia. A insinuação de sexo é clara, tanto que o próprio namorado esbofeteia a personagem ao assistir a cena da traição. Esse enredo fez alusão a um fato que estava sendo debatido na mídia naquele momento. Certa modelo (da vida real) fez algo semelhante com seu namorado em uma praia da Espanha e foi flagrada por um paparazzo. O mais interessante é que a avó de Beatriz diz não ter achado nada demais, assim como a avó da modelo na situação real. Esse caso comprova que valores morais e familiares estão cada vez mais deturpados diante da sociedade.
As roupas justas e curtas de Elvira (Nívea Stelmann), o figurino provocante de Ágatha (Cláudia Raia) e os modelos deslumbrantes de Rebeca (Elizabeth Savala) fazem com que o telespectador abuse da condição de pecador. No enredo da trama tem até uma anja "tarada" e obsessiva para ver a "tatuagem" do DJ bonitão. Custódia (Cláudia Jimenez) abusa de técnicas nada celestiais para seduzir Adriano ( Rodrigo Phavanello).
Sensual num país tropical
Localizado boa parte na zona da linha do equador, o Brasil possui clima tropical e temperado. Essa atmosfera, em geral, justifica o uso de roupas curtas e então, sensuais. A exposição dos corpos desperta no povo um hábito propenso a sensualidade. E isso é retratado claramente nas novelas da Rede Globo. Personagens assim marcam a história da telenovela do País. Quem não se lembra da Lurdinha de América em 2005? Cléo Pires, que interpretava a meiga e insinuante amante de Glauco (Édson Celulari), ficou conhecida pela expressão "Oi tio!", na qual conquistou o empresário e também os telespectadores. Os másculos irmãos Sardinha, interpretados por Cauã Reymond, Pedro Neschiling, Reynaldo Gianecchini, Caio Blat e Leonardo Brício da novela Da cor do pecado, exibida em 2004, também chamavam a atenção pelas roupas litorâneas e os excitantes beijos nas belas atrizes da trama.
No país do Carnaval (que também é divulgado nas novelas), os conteúdos ardentes sempre fizeram parte dos enredos das tramas. Mulheres seminuas sempre estiveram em exposição, seja a Rainha da Sucata (1990) ou até mesmo a Senhora do Destino (2004), na briga por audiência Vale-Tudo (1988). Na Indomada (1997) tendência ao erotismo, tudo pode acontecer. É só esperar e conferir.
Texto publicado originalmente no Canal da Imprensa
Quem "te" chamou aqui
“Dólar comercial cai em 0,85%” e “Ipea eleva previsão de inflação para 4% neste ano”. Fatos na economia mundial acontecem a todo segundo no mundo inteiro. E compete aos jornalistas ajustar os acontecimentos diante de mudanças repentinas. Como, por exemplo, a instabilidade do dólar - que passados dois minutos da notícia acima, caiu para 0,63%.
Informações como essas são diariamente lançadas e atualizadas por editorias de economia dos principais jornais do País. Entre elas, cabe destacar o caderno de Dinheiro da Folha Online. Sua linha editorial apresenta regras para tratar com os temas de modo técnico e sofisticado e evitar o uso de jargão ou linguagem cifrada. Mas isso não ocorre. Ou ao menos, raramente evitam. Palavras como liquidez, protecionismo e contingente podem ser encontradas nas matérias feitas pelo caderno. Termos como pregão, cotas e tarifas alfandegárias são apresentados para que somente economistas e estudiosos na área apreciem com clareza, pois os cidadãos, em geral, tornam-se leigos ao assunto explícito dessa maneira. Assim, o jornal acaba delimitando seu público-alvo.
A proposta de linha editorial do Caderno de Dinheiro da Folha é inicialmente interessante, mas infelizmente não se aplica com eficácia. Mesmo pessoas que possuem certa noção sobre economia se confundem ao deparar-se com uma infinidade de números e estatísticas sucessivas. Os parâmetros jornalísticos são estabelecidos de forma limitada por parte de quem constrói as matérias.
Vocábulos repetidos continuamente desestruturam as frases, e dão a impressão de que o período já foi lido. Frases como, “por isso as montadoras que vendem utilitários apresentam depreciação maior, pois esse tipo de veículo tem maior depreciação”, da matéria “Carro equipado desvaloriza mais que básico após um ano de uso”, publicada em 18 de setembro deste ano, mostra o despreparo na construção e transmissão da informação. Além disso, a palavra “depreciação” aparece cerca de sete vezes ao longo do texto com apenas seis minúsculos parágrafos.
É notável que a Folha opte em “informar a todo instante”. O Caderno de Dinheiro apresenta um índice constante de notícias e isso faz com que se torne interessante o acesso, pois apresenta uma atualização imediata dos fatos. Empresários, economistas e investidores podem se manter informados a todo instante a partir do que é veiculado. É lamentável que haja apenas uma adequação ao índice de informações e não em relação à estrutura textual. Independente do assunto, qualidade no que se lê é imprescindível.
Visual Econômico
O uso de infográficos em cadernos de economia serve para deixar a matéria acessível para um melhor entendimento. Esse tipo de ilustração foi adotado pelo Caderno de Economia do O Globo Online, e faz com que o site seja participativo e visualmente atraente. Já na Folha Online, o uso do mesmo se limita a uma tabela com links referentes à cotação do dólar, euro, Bovespa e Nasdaq. O Estadão, em seu Caderno de Economia, também adota uma linha. Sem esse tipo de material visual, prefere dar ênfase aos acontecimentos econômicos ligados à política.
A Folha se distingue dos demais jornais por sua linha diferenciada de reportagens que é direcionada exclusivamente ao dinheiro e investimentos. Como exemplo, no dia 23 de setembro de 2007, uma das matérias intitulava “ Investidores favorecem mercados emergentes ”. Normalmente, a matéria principal do caderno tem relação direta com o leitor e mesmo que apresente forte fundamentação econômica, tenta equilibrar essa linguagem, dando uma abordagem mais próxima do público. Tanto que o caderno é chamado Dinheiro e não Economia.
Uma ênfase a esse conceito foi a adição ao jornal do suplemento semanal “Vitrine” no último domingo (22), que trata exclusivamente sobre compras no Brasil e no exterior. Esse fato faz com que comparações com outros jornais sejam desiguais. Em geral, os jornais abordam fatos político-econômicos.
Economia, dinheiro e política são assuntos cotidianos de cunho popular. Falar sobre isso requer informações sobre o assunto. E, é exatamente isso que a população espera. Entretanto com notícias claras e diretas, de fácil entendimento, que mostrem, por exemplo, os motivos da greve dos Correios ou o porquê da empresa aérea Gol investir na Bovespa. Porém, antes de tudo, que explique o significado de Bovespa.
Artigo publicado originalmente no Canal da Imprensa, em
27/09/2007
