AMARAL, Márcia Franz. Jornalismo Popular. São Paulo: Contexto. 2006; 141 páginas.
Jornalismo Popular, o livro escrito pela doutora em Comunicação e Informação, Márcia Franz Amaral discute o tema popular no cenário sensacionalista. A autora aborda fatos da história do jornalismo popular em contexto mundial e nacional. Definições do termo sensacionalista, comparação de jornais com o significado do sensacional e análise do público alvo também estão presentes na pesquisa.
Márcia explica a origem e relação do termo “sensacionalista” com jornais populares. A ligação do sensacional ao jornal feito para classes de baixo poder aquisitivo dá-se ao fato de jornais, como o Notícias Populares (NP), atualmente fora de circulação, fazerem um simples acontecimento se tornar extraordinário. O NP abusava do sensacionalismo e estampava nas páginas reportagens relacionadas ao sexualismo e violência. Faltava conteúdo dito “sério”. Pelo fato do NP ser um jornal com público alvo de baixa renda, a regra foi estabelecida: todos os jornais populares são sensacionalistas. Esse é o pensamento pré- estabelecido por muitos comunicadores e leitores. Mas essa linha de opinião é quebrada pela autora que destaca a relevância da análise antes do julgamento de determinado segmento.
Falar ou escrever para as classes C e D não significa distorcer fatos, apelar para sexualismo, violência e mau gosto. Pode-se elaborar um jornal que informe, divulgue e critique sem usar esses métodos distantes do objetivo de prestação de serviço. Aliás, o jornal popular relaciona-se mais próximo do público alvo e a função de prestação de serviço é muito clara e presente. Não se deve apenas classificar um jornal como sensacionalista pelo simples fato de expor na seção de entretenimento, por exemplo, fofocas de artistas e mulheres com poses sensuais. Isso vende. E por esse motivo os leitores são atingidos a comprar. Mas o cidadão que compra o impresso, além de encontrar sensualismo, acha também reportagens, matérias e informativos relevantes para o contexto social em que vive. O questionamento presente e decisivo encontra-se então, na qualificação adequada para distinguir uma mídia sensacionalista da que não se enquadra na questão.
De acordo com Márcia, o fato que diferencia um jornal sensacionalista dos demais é a intensidade. A afirmação de que o sensacionalismo é o grau mais intenso a fim da comercialização da informação possibilita uma análise dos jornais que se encaixam na situação. O termo sensacionalismo é citado por diversos autores, segundo concepções variadas, porém a definição encontrada em “Jornalismo Popular” é a que melhor define a partir da contextualização dos jornais nacionais. A autora define perfeitamente o termo ao afirmar: “... o sensacionalismo está ligado ao exagero; à intensificação, valorização da emoção; à exploração do extraordinário, à valorização de conteúdos descontextualizados; à troca do essencial pelo supérfluo ou pitoresco e inversão do conteúdo pela forma”.
O jornalista Alberto Dines, citado por Márcia, destaca sobre o processo sensacionalista e afirma que ele acontece em todo tipo de imprensa. Ele divide o sensacionalismo em três grupos: gráficos, lingüísticos e temáticos. A autora cita também outros autores e comunicadores e faz um embasamento relevante diante do assunto. Na associação do sensacionalismo com o popular, pode ser formado outro estereótipo. Este se define no pressuposto de que popular e sensacional estão ligados e presentes exclusivamente na mídia impressa. Mas, os programas de televisão também são mencionados no livro e caracterizados como mais “intensos” do que os impressos.
O que a autora pretendeu com a publicação foi quebrar o paradigma que estabelece regras e dita críticas pouco fundamentadas sobre o “novo” formato de mídia impressa, o popular. O livro faz com que os comunicadores desenvolvam um pensamento crítico a fim de analisar contextos e a mídia totalitária, não apenas em fatores isolados.
Jornalismo Popular (Márcia Franz Amaral)
Verdade também vende
Compromisso com a verdade ou sensacionalismo. Vender notícias verídicas sem criar o “espetáculo da mentira” certamente é uma difícil tarefa para os jornalistas. Esse comprometimento com os fatos é abordado pelo personagem Henry Hackett (Michael Keaton), no filme O Jornal, dirigido por Ron Howard.
O filme começa com dois empresários mortos dentro de um carro e uma pichação com insultos raciais na lataria. Quem encontra os corpos são dois jovens negros que estavam passando pelo local. Eles acabam sendo presos como principais suspeitos do crime. Esse acontecimento surge no dia seguinte como matéria de capa dos principais jornais, menos no The New York Sun, jornal no qual Henry trabalha. A partir disso, a equipe dele precisa definir rapidamente um “furo” para a próxima edição.
Alicia Clark (Glenn Close), diretora de Henry, sugere que o jornal publique em sua capa a matéria de um acidente de metrô com a foto de um passageiro com o braço solto. Em contraposição, o jornalista propõe algo novo sobre a morte dos empresários e acusa Alicia de sensacionalismo. Ela apenas defende-se dizendo que os leitores se interessam pelo metrô. Henry indaga a diretora se ela fizera uma pesquisa e afirma que dinheiro não é tudo.
A questão da responsabilidade com os fatos publicados e o sensacionalismo, que pode arruinar a vida das pessoas, também é debatida no filme. Alicia aceita a sugestão do jornalista, mas impõe o título da manchete de capa como “Agarrados!”. O título acusaria os jovens de serem culpados pelo crime. Henry afirma que é necessário apurar os fatos para publicá-los com autenticidade. A diretora garante que se não houver nada palpável a manchete será “Agarrados!”. Ao ser indagada sobre a possível inocência dos jovens, afirma com insignificância que hoje pode-se acusar e amanhã elogiar.
Após obter indícios da inocência dos rapazes, Henry assume a postura de “herói-jornalista” e começa a investigar o crime. Sua luta pessoal consiste em inocentar os rapazes e assumir uma postura ética para que o sensacionalismo não ocupe a página inicial do The New York Sun.
O jornalista obtém um depoimento que liberta os jovens da acusação, e após muita discussão com Alicia, o título “Não foram eles” é destaque na capa do jornal. Henry consegue dar o “furo” jornalístico. Sua matéria com a apuração verídica e bem-sucedida faz com que a história se torne interessante aos leitores e comprova que a verdade também atende ao gosto popular. Sensacionalismo ou não, o importante é um final feliz.
Ficha Técnica
Título Original: The Paper
Gênero: Comédia Tempo de Duração: 88 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 1994
Estúdio: Universal Pictures / Imagine Entertainment
Distribuição: Universal Pictures / UIP
Direção: Ron Howard
Roteiro: David Koepp e Stephen Koepp
Produção: Brian Grazer e Frederick Zollo
Música: Randy Newman
Direção de Fotografia: John Seale
Desenho de Produção: Todd Hallowell
Figurino: Rita Ryack
Edição: Daniel P. Hanley e Mike Hill
Elenco: Michael Keaton (Henry Hackett) Robert Duvall (Bernie White) Glenn Close (Alicia Clark) Marisa Tomei (Marthy Hackett) Randy Quaid (Michael McDougal) Jason Robards(Graham Keighley) Jason Alexander (Marion Sandusky) Spalding Gray (Paul Bladden) Catherine O'Hara (Susan) Lynne Thigpen (Janet) Jack Kehoe (Phil) Roma Maffia (Carmen) Clint Howard (Ray Blaisch) Geoffrey Owens (Lou)
Texto publicado originalmente no Canal da Imprensa
